Não sabia o que sentir, se felicidade ou nostalgia, já que o demorado e esperado final de semana estava ali, desesperadamente batendo a sua porta, mas quem disse que ela queria realmente abrir? Fazer isso implicaria em uma atitude arrebatadora, e esse não era o melhor momento para isso.
Por mais horas que tivesse seu dia, em metade delas conseguia se sentir insegura, não importando o quão agitado ele tivesse sido. No trabalho, aquela rotina sugadora de energias, com amigos e família havia mais descontração, e mesmo assim sentia que algo estava incompleto.
Mas especialmente nesses dias da semana, seus hábitos mudavam, tanto quanto seus horários e suas vontades. As luzes pareciam cuspir brilhos diferentes, daqueles contagiantes, e a sensação era de ter engolido um saco cheio de borboletas, as do tipo bem agitadas, que faziam bastante algazarra no seu corpo.
Já não sabia bem aonde ir, mas sentia que deveria verdadeiramente seguir algum caminho, tomar alguma atitude, ir a algum lugar. Seus olhos buscavam em toda e qualquer direção, vestígios que ele havia deixado minutos atrás, seu corpo queria aquele abraço, pois só aquele a fazia descansar e acalmar depois das turbulências do dia a dia, ela precisava sentir o cheiro da sua pele, até mesmo do perfume novo que acabara de usar. Mesmo sabendo que aqueles pés agora andavam por avenidas diferentes das suas, sobretudo em dias como esses. Deixando duvidas no seu pensar e agir.
Tinha a opção de sair, dá um “tapa no telhado”, jogar tudo pro alto e curtir a noite, que a tentava de maneira avassaladora, mas podia também ficar em casa e convidar umas amigas (sempre há uma amiga ou outra encalhada que também se encontra nessa mesma constrangedora solidão) para se esbaldarem no founde com vinho, engordando e chorando horrores com filmes melodramáticos.
A indecisão conseguiu paralisar seu corpo, era como uma praga que se alastrava cada vez mais depressa causando uma infecção generalizada. Mas de uma única coisa ela tinha certeza, que era dele o espaço vazio que lhe fazia companhia nesse momento, vazio por opção de espera, por achar que ele sim, era o merecedor daquele lugar, digno de compartilhar sonhos e devaneios ao seu lado. E ela se pegava a espera de alguma nova e concreta esperança.
Como de costume, final de semana era tempo dele ir com os amigos para aquele mesmo bar jogar conversa fora, era o momento de falar sobre a situação financeira do país, em que circunstâncias se encontravam seus times e era lá onde tinha a cerveja mais gelada e o melhor camarão da redondeza, e ela? Continuava no aguardo. Não sabia direito o que, mas estava (como sempre) ali, a espera.
E as horas terminaram se transformando em dias, que renovam suas energias apenas com o raiar do sol na manhã seguinte, força essa que a exalta e engrandece, acalentando suas confusões. É isso que ela anseia, sentimentos e sensações ternas, quem sabe então eternas. Como aquela da alvorada.

poxa vida.... esse texto me deixou emo.... muito bom...
ResponderExcluirQue massa, a proposta desse blog! E o texto também. Já escrevi um meio que no mesmo assunto, bem antiguinho!
ResponderExcluir(http://vitoriabispo.blogspot.com/2009/11/programa-de-feriado.html)
Gostei bastante, vou acompanhar mais de perto.
Escrevo textos bem de 'encalhada', eu acho, embora não seja, por isso me identifiquei! hahaha...
Sucesso!
Beijos
eu fico passada com essas coisas simples da vida q tomam contornos bonitos quando são contados assim, com as palavras certas.
ResponderExcluirObg Vitória! Se vc quiser postar algum texto seu no nosso blog é só mandar por e-mail para papodeencalhada@gmail.com . Ficaremos felizes com sua participação. =*
ResponderExcluir